Resumo do Plenário

Em 17/03/2016
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A divulgação do áudio de telefonemas entre o ex-presidente Lula e diversas autoridades, liberada pelo juiz Sérgio Moro, foi o assunto desta quinta, no Plenário da Alepe.

Para o deputado Antônio Moraes, do PSDB, a ligação em que a presidente Dilma afirma que vai enviar o termo de posse para Lula, antes da cerimônia em que ele se tornaria ministro, mostra que o objetivo da posse era evitar que o ex-presidente fosse surpreendido por um mandado de prisão.

O parlamentar também lembrou uma entrevista do deputado federal Sílvio Costa, do PTB de Pernambuco, vice-líder do Governo na Câmara, em que, segundo Antônio Moraes, fica clara a manobra do Partido dos Trabalhadores para proteger Lula. “Ele disse, entre aspas, na Rádio Jornal: ‘vocês acham que vão pegar Lula? Vou dizer em primeira mão. Se Lula achasse que iriam pegá-lo, que ele seria culpado, ele viraria ministro de Dilma.’ Isso ele disse no dia 4. Então isso mostra que essa negociação dentro do governo, para proteger o ex-presidente Lula, não é de agora. Ela já vinha sendo arquitetada há algum tempo.”

A postura de Sérgio Moro foi questionada pelo deputado Edilson Silva, do PSOL. O parlamentar acredita que, ao divulgar um grampo com a participação da presidente da República, o juiz desafiou o Supremo Tribunal Federal. “Ele se colocou, então, acima do STF. Se colocou acima da Justiça. E está encarnando, agora, ele ser a própria justiça. A justificativa dele: ‘os governados precisam saber o que os governantes falam’. Lula, quando foi autorizado esse grampo, era governante? Não era. Nós não podemos nos calar, quando vazamentos seletivos sincronizados com a imprensa, começam a ser utilizados como peças de mobilização social.”

O deputado Clodoaldo Magalhães, do PSB, defendeu que o grampo foi realizado sobre Lula, não sobre a presidente. “A presidente Dilma ligou para o grampeado. Enquanto políticos, nós precisamos, sim, ter nossa vida e todos os nossos atos conhecidos pelos nossos representados.  Depois de vazado o conteúdo, ficou muito claro. Este país não é um país de idiotas, não. Este país não é um país de imbecis, como a presidente Dilma quer.”

O deputado Rodrigo Novaes, do PSD, destacou que, neste 17 de março, completam-se dois anos da Operação Lava-Jato. Ele manifestou apoio ao juiz Sérgio Moro e disse que os avanços sociais conquistados com o governo do PT não podem servir para acobertar os erros do partido. “Não tenho nada contra a presidente Dilma pessoalmente. Votei nela, a primeira vez. Votei no presidente Lula duas vezes. Entendo que foi o presidente que mais fez pelo Nordeste. Sou capaz de reconhecer todos os avanços que o país teve nas áreas sociais, a partir do presidente Lula. Mas nem isso, nem essa visão que tenho dele e da presidente Dilma me faz cegar diante da realidade.”

Durante a reunião, Edilson Silva afirmou, ainda, que espera do juiz Sérgio Moro a mesma dedicação para apurar todas as delações do senador Delcídio Amaral.